
Hoje de tarde postei no Ambrosia a notícia da confirmação do RPGCon para Julho e a euforia no Twitter foi fenomenal (não exatamente por causa do meu post, só para deixar bem claro). O que eu não esperava é que era tanto a ponto de se tornar um Trend Topic do Twitter (um dos assuntos mais falados) por umas 2 horas ou mais. Parece bobeira, mas para um grupo pequeno o barulho feito foi considerável. Isso mostra que o Jogador de RPG, pelo menos essa fração que tem internet E twitter gosta do seu jogo predileto e fez questão de colaborar divulgando a brincadeira.
Isso é bom demais de se ver, principalmente quando sei que um pouco do que aconteceu tem culpa minha, como perceberam pela imagem que coloquei no inicio do post. O RPG tem que aparecer mesmo e mostrar que não é nenhum jogo estranho, nem nada satânico como muita gente ignorante e pretenciosa já tanto apontou. Ele é uma opção de jogo sadio que as pessoas precisam conhecer.
Hoje eu fiquei cansado de twittar e agradeço a todos meus seguidores, amigos, blogueiros pela força, apesar de um evento tão bom como foi falado em inúmeros locais nem precisa de muito esforço para chamar atenção. Agora é só eu me planejar e descobrir se consigo ir no RPGCon.

Minha esposa não entende nadinha de RPG. Mais que isso, quando falamos de fantasia daquele tipo que eu e meu grupo joga em D&D, ela gosta menos ainda. Claro que isso não é um desafio tão grande para alguém que sabe que RPG se estende a um número considerável de gêneros que vai bem além da fantasia chupada do falecido titio Tolkien. O desafio de ensinar minha esposa o que é RPG me fez pensar nas dificuldades em convencer alguém a jogar meu passatempo predileto.
Ontem a noite aproveitei o sono do nosso rebento para cumprir a promessa que fiz a ela essa semana que seria contar-lhe uma história. Levando em consideração os gostos dela quanto a cinema e televisão resolvi inseri-la em uma história de investigação polícial. Acho sempre importante quando se conta uma história para um curioso (e aqui eu diferencio de um iniciante que é alguém que já mostra pré-disposição para jogar), que se conte algo dentro do tema que a pessoa gosta. Conheço uma infinidade de jogadores de um gênero x que se forem jogar qualquer outra coisa não se interessariam nem um pouco, só por que jogamos RPG precisa-se gostar de tudo?
Na história ela é uma delegada enviada para uma cidade do interior para ajudar a por ordem no local após a morte misteriosa do delegado da cidade. Claro que a coisa vai se desenvolver dentro de um caminho mais interessante e ainda enquanto ela deslocava-se para a bendita cidade pegando umas das vias de acesso em meio a muita chuva é emboscada por um grupo de bandidos que estavam misteriosamente a espera da delegada.

Investigação Policial é um tema bem mais fácil de digerir...
A ação logo no começo da história é uma forma de mostrar ao jogador novo a emoção do combate, isso prende atenção do mesmo e mostra umas das coisas mais divertidas junto com a interpretação - pelo menos para mim - no RPG que é a rolagem de dados e sua aleatoriedade. Eu usei o sistema D20, sem classes, de forma bem resumida, dando perícias e um bônus base de ataque e deixei-a no que seria equivalente a um guerreiro de nível 10 enfrentando um desafio de nível 1. O motivo de inimigos tão fracos é novamente dar mais emoção ao jogo do iniciante mostrando o gostinho do que é ganhar um desafio.
O mais divertido da história é vê-la rolar um resultado 1 em um D20 e depois dois resultados 20 seguidos, mostrando a aleatoriedade e a emoção que as rolagem podem causar. O resultado final da cena foi uma delegada mostrando sua competência como atiradora e dois bandidos feridos que precisavam ser interrogados.
A história terminou por ai, com uma esposa me cobrando uma próxima sessão e quem sabe uma compreensão cada vez maior de por que gosto tanto de RPG. Claro que se ela quer aprender, existe ai uma vontade evidente de querer estar comigo e fazer as mesmas coisas que eu faço e assim ganhar mais afinidades. Ai tenho uma vantagem contra alguém que tenta ensinar a um completo desconhecido o que é RPG e mais que isso, tentar faze-lo gostar.
Lembrando que evidentemente ninguém é obrigado a gostar de RPG e eu sei que para você que gosta muito de jogar esse joguinho de dados de múltiplas faces é difícil as vezes engolir que esse jogo pode não atrair alguém, mas pode. Tanto quanto eu não acho bonita a Sheila Carvalho apesar de até minha esposa achar o contrário. Mas pelo menos com uma sessão de jogo podemos - quem sabe - tirar da cabeça da pessoa aquelas idéias esquisitas do que seria RPG e mostrar que nosso jogo pode ser bem mais interessante do que muita gente pensa.
Jogar RPG com alguém que não entende nada sobre o assunto é algo delicado. A descrição do que é RPG para essa pessoa pode se tornar negativa (e como pode) se a ela o jogo não for bem explicado. Entenda que isso acontece com o RPG e com uma série de outras coisas nessa vida. Dependendo de como se explica algo que poderia potencialmente te divertir isso pode parecer chato, muito chato.
Já vi pessoas tentando explicar RPG falando de regras e de como era legal quando ela fazia tal coisa… Fico me perguntando até hoje como alguém ainda não entendeu que fora do nosso mundo 3d20+3 parece mais uma equação do que uma rolagem de 3 dados de 20 faces com um bônus de mais 3…
Role 2d6+2. Divida por 3 e arredonde para cima. É assim que você começa a jogar Flatland, por que agora você sabe exatamente quantos lados seu personagem possui. Sim, eu não brinquei, agora você é um figura geométrica e em flatland seu número de lados define seus atributos. Quanto mais lados você possuir mais Mind (mente) você terá e conseguentemente você terá menos Body (corpo). Nesse mundo quantos mais lados você possuir mais importante você será na sociedade, não é a toa que a visão de Deus em Flatland seja um circulo, o limite de um polígono com uma infinidade de lados…
Flatland é um RPG baseado em um famoso livro escrito por Edwin Abbott Abbott chamado Flatland A Romance of Many Dimensions que é uma satíra envolvendo matemática, crítica social e religião publicado pela primeira vez em 1884! No Brasil ele foi traduzido pela Editora Conrad como Planolândia: um Romance de Muitas Dimensões e pode ser comprado no Submarino por R$ 24 reais. Um valor que depois de conhecer um pouco dessa história maluca estou pensando sériamente em comprar…
Voltando a FlatLand, tudo nessa terra é totalmente 2D. Em cima e embaixo são conceitos obscuros que podem lhe garantir a carteirinha de louco, ninguém acreditará em suas teorias sobre 3 ou mais dimensões seu herege! Até mesmo descobrir com quem você está falando é algo muito difícil, você é obrigado a observar e calcular o angulo e a forma do que se aproxima já que tudo que você vê na visão 2D de Flatland serão pontos e linhas. O divertido da história é que criminosos nessa terra são naturalmente figuras irregulares e com isso usam e abusam dessa limitação para esconder “seus lados mais obscuros” (#piadainfamedetect).

As mulheres em FlatLand serão sempre uma simples linha. Como a visão 2D de Flatland as transforma em um ponto, elas são obrigadas a andar "rebolando" para que sejam identificadas e evitem de causar um acidente fatal trombando e tristemente empalando algum indivíduo na rua...
A anatomia dos Flatlanders é bem curiosa, eles não possuem cabeça, possuem apenas uma boca em uma de suas extremidades que fica sombreada, uma área circular que serve também como olho e cérebro do flatlander. O corpo dos habitantes desse reino é extremamente frágil e o contato mais forte com superfícies afiadas abre uma passagem fatal em sua estrutura que irá gerar muito sangramento e em pouco tempo morte. A medicina dos Flatlanders consegue até resolver esse problema, não sem deixar sequelas no corpo do indivíduo e até na próxima geração.
O livro de RPG criado por Marcus L. Rowland e pode ser comprado na loja virtual e23 do tio Steve “Gurps” Jackson por $ 6,99 dólares. Ele contém muitos detalhes curiosos sobre a biologia e outras ciências de Flatland, além de obviamente mais sobre as regras de como se jogar com um habitante desse mundo chato, mas em sentido bem diferente do que se imaginaria…