Enganando os jogadores de RPG com descrições fracas ou equivocadas

{ Postado em Mar 23 2009 por philsouza }

Minha tia e minha prima tentam descrever o carro de um homem que trabalha com frete.

Minha prima: O carro dele é uma pickup.

Imagem extraida do site http://www.noticiasautomotivas.com.br

Minha Tia: Nada disso garota! O carro dele é uma kombi aberta.

E no final o carro era uma Splinter:

Deixando de lado toda discussão sobre como mulheres não conhecem absolutamente nada sobre carros, temos aqui um situação que pode ser muito bem utilizada em uma mesa de RPG e pode ficar perdida por falta de preocupação do mestre com detalhes maiores sobre cultura e conhecimento dos personagens dos jogadores e NPCs.

Momento aonde o simulacionismo abre margem para novas situações que não seriam possíveis sem essa preocupação com a verossimilhança quanto a visão do personagem sobre a situação de acordo com sua experiencia de vida.

Observando o nível de conhecimento da minha prima e de minha tia posso afirmar que:

  • MInha prima conhece menos que minha tia sobre o assunto e dá uma informação errada. Ela sabe que o carro é usado para transporte e acaba usando como exemplo um modelo que não bate com a realidade.
  • Minha tia em contrapartida sabe mais, mas sem saber o nome correto ela na realidade não afirma que o “carro é uma kombi aberta”, mas sim parece com uma kombi aberta.

Temos aqui uma armadilha comum durante a troca de informação com gente que não conhece muito determinado assunto e que pode ser usado com facilidade para milhares de situações em uma mesa de jogo de RPG para surpreender jogadores.

Será que todo morador de um vilarejo que viveu anos no meio do mato e nunca viu um dragão na vida - e/ou muito menos já ouviu falar sobre - saberia descrever um dragão de forma adequada?

Ou o misterioso personagem que estamos procurando em uma movimentada cidade cyberpunk em Shadowrun 4 que foi descrito como um “orc” e na realidade era um humano normal, mas como diziam sobre ele desde pequeno, “feio como um orc”.

Temos situações interessantes no nosso próprio Brasil sobre como alguma informação quando passada para lá e para cá muda de forma curiosa. Foi assim que É a cara do pai em Carrara esculpido virou É a cara do pai cuspido escarrado (sério).

Por que não surpreender os jogadores e quem sabe inseri-los em uma história paralela devido a uma descrição fraca ou no caso do nosso amigo orc… digo, humano, “equivocada”?

Imagem extraida do blog do Carlos Cardoso

Dependendo de quem descreve, nada é o que parece. Vocês sabem me dizer o que está sendo segurado na foto? Acreditem, tem haver com sexo, mas não é nada que suas mentes maldosas estão pensando. É só clicar na imagem que vocês descobrirão o que é.


11 Responses to “Enganando os jogadores de RPG com descrições fracas ou equivocadas”

  1. Hehehe… eu já fiz isso algumas vezes, e é muito divertido!

    O legal é que jogadores maduros não se chateiam com o mestre por causa disso, mas fazem seus personagens ficarem p*tos com o NPC que deu a informação zoada. É “pano pra manga” pro roleplay.

  2. tenho jogadores e conheço mestres com esse problema… por isso que o auxilio gráfico é bom nessas horas hehehe

  3. Em um cenário medieval, onde a comunicação entre cidades é precária, esses tipos de desinformação seriam bem comuns.
    Imagine uma floresta famosa por suas fadas… quando, na realidade, seriam só halflings usando asas falsas para afastar viajantes…
    Acho que a tendência seria aumentar as coisas: kobolds viram homens-lagarto, lobos viram worgs, etc.

    Outra variação que eu gosto é a mudança nos detalhes: se os aventureiros se encontrassem com um troll comum, mas avermelhado (talvez por causa da alimentação…), eles ainda usariam fogo contra ele?

  4. @mamangava

    Não veria motivo para os jogadores se chatearem com isso. Isso seria apenas um recurso para contar uma história, mas como tem de tudo nessa vida…

  5. @FenrirX

    Auxílio gráfico é sacanagem rsrsrsrs
    Vai ter que desenhar né? :D

    Na realidade tenho alguns jogadores com um problema sério quanto a imaginarem algo que não tem absolutamente correlação nenhuma com o descrito. Pior que antigamente eu achava que o problema era até comigo sabe. Agora eu sei que pra eles o jeito é desenhar… rsrs

  6. @gustavo

    Halflings com asas se fingindo de fadas seria a coisa mais safardana (direitos reservados ao D3) que eu poderia imaginar. Por beirar o cômico vou adorar colocar isso um dia em campanha…

    O exemplo do troll vermelho não cabe muito bem dentro do post já que falo aqui de desinformação e não de um tipo diferente de criatura.

    Mas colocando da forma que o post pede poderiamos ter um troll que por algum motivo qualquer (sol demais? :D)ficou vermelho e os moradores ao descreverem a criatura deixariam os jogadores totalmente encucados em qual monstro seria.

  7. Eu acho q isso costuma mais dar errado que certo. Jogadores, assim como leitores, tem uma tendência de acreditar como verdade em tudo aquilo que lêem/vêem numa história, desconsiderando testemunhas não-confiáveis. É sempre verdade ou a pessoa está mentindo. Como mestre eu tenho q lembrar sempre desses detalhes quando eu coloco problemas de entendimento na aventura. E olha q eu nem tenho hábito de colocar NPCs traíras ou mentirosos…

  8. O personagem não precisa ser traíra ou mentiroso balard… Como eu mesmo coloquei nos exemplos, todos são enganos comuns. Os jogadores só vão perceber quando depararem, por exemplo, com a criatura diferente. Ai cabe ao mestre as vezes por fora explicar o que aocnteceu. É triste ter que desenhar as vezes, mas pode acontecer…

  9. Phil eu acho que depende da situação. Como no exemplo da floresta com fadas ficou legal, mas se os habitantes estão sendo atacados, p.ex. por kobolds eles saberiam como descrever. Na realidade eu acho que isso é valido para quem NÃO PRESENCIOU o fato de verdade, mas qual o objetivo de colocar um NPC sem nenhum informação de útil p/ os PC e não o que REALMENTE tem a informação? Eu faria isso como uma forma de castigo, como quando os jogadores simplesmente MATARAM o único NPC que tinha a descrição detalhada de como chegar no forte, daí eu achei qq um e dei uma informação bbeeeemmmm incompleta (e um pouco incoerente p/ se perderem e gerar alguns aleatórios XD).

  10. @anão picareta

    Não é em toda situação que criar descrições menos detalhadas se encaixa Diogo. Kobolds são criaturas mais comuns e de fácil descrição.

    Eu não falo no post para usar em tudo, tem que saber usar também :D

  11. Eu gostei da sugestão. Descrever coisas com precisão é quase uma arte e pouca gente consegue. Assim, não seria assim tão estranho que uma pessoa com pouca instrução ou de inteligência “discreta” descrevesse algo de maneira equivocada.
    Agora, sério esse lance do “cuspido escarrado”? Que bizarro…

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