Jogando RPG com a esposa

{ Postado em Jan 30 2010 por philsouza }
Tags : , ,
Categorias : Sessão do Mestre

Minha esposa não entende nadinha de RPG. Mais que isso, quando falamos de fantasia daquele tipo que eu e meu grupo joga em D&D, ela gosta menos ainda. Claro que isso não é um desafio tão grande para alguém que sabe que RPG se estende a um número considerável de gêneros que vai bem além da fantasia chupada do falecido titio Tolkien. O desafio de ensinar minha esposa o que é RPG me fez pensar nas dificuldades em convencer alguém a jogar meu passatempo predileto.

Ontem a noite aproveitei o sono do nosso rebento para cumprir a promessa que fiz a ela essa semana que seria contar-lhe uma história. Levando em consideração os gostos dela quanto a cinema e televisão resolvi inseri-la em uma história de investigação polícial. Acho sempre importante quando se conta uma história para um curioso (e aqui eu diferencio de um iniciante que é alguém que já mostra pré-disposição para jogar), que se conte algo dentro do tema que a pessoa gosta. Conheço uma infinidade de jogadores de um gênero x que se forem jogar qualquer outra coisa não se interessariam nem um pouco, só por que jogamos RPG precisa-se gostar de tudo?

Na história ela é uma delegada enviada para uma cidade do interior para ajudar a por ordem no local após a morte misteriosa do delegado da cidade. Claro que a coisa vai se desenvolver dentro de um caminho  mais interessante e ainda enquanto ela deslocava-se para a bendita cidade pegando umas das vias de acesso em meio a muita chuva é emboscada por um grupo de bandidos que estavam misteriosamente a espera da delegada.

Investigação Policial é um tema bem mais fácil de digerir...

A ação logo no começo da história é uma forma de mostrar ao jogador novo a emoção do combate, isso prende atenção do mesmo e mostra umas das coisas mais divertidas junto com a interpretação - pelo menos para mim - no RPG que é a rolagem de dados e sua aleatoriedade. Eu usei o sistema D20, sem classes, de forma bem resumida, dando perícias e um bônus base de ataque e deixei-a no que seria equivalente a um guerreiro de nível 10 enfrentando um desafio de nível 1.  O motivo de inimigos tão fracos é novamente dar mais emoção ao jogo do iniciante mostrando o gostinho do que é ganhar um desafio.

O mais divertido da história é vê-la  rolar um resultado 1 em um D20 e depois dois resultados 20 seguidos, mostrando a aleatoriedade e a emoção que as rolagem podem causar. O resultado final da cena foi uma delegada mostrando sua competência como atiradora e dois bandidos feridos que precisavam ser interrogados.

A história terminou por ai, com uma esposa me cobrando uma próxima sessão e quem sabe uma compreensão cada vez maior de por que gosto tanto de RPG. Claro que se ela quer aprender, existe ai uma vontade evidente de querer estar comigo e fazer as mesmas coisas que eu faço e assim ganhar mais afinidades. Ai tenho uma vantagem contra alguém que tenta ensinar a um completo desconhecido o que é RPG e mais que isso, tentar faze-lo gostar.

Lembrando que evidentemente ninguém é obrigado a gostar de RPG e eu sei que para você que gosta muito de jogar esse joguinho de dados de múltiplas faces é difícil as vezes engolir que esse jogo pode  não atrair alguém, mas pode. Tanto quanto eu não acho bonita a Sheila Carvalho apesar de até minha esposa achar o contrário. Mas pelo menos com uma sessão de jogo podemos - quem sabe - tirar da cabeça da pessoa aquelas idéias esquisitas do que seria RPG e mostrar que nosso jogo pode ser bem mais interessante do que muita gente pensa.

Jogar RPG com alguém que não entende nada sobre o assunto é algo delicado. A descrição do que é RPG para essa pessoa pode se tornar negativa (e como pode) se a ela o jogo não for bem explicado. Entenda que isso acontece com o RPG e com uma série de outras coisas nessa vida. Dependendo de como se explica algo que poderia potencialmente te divertir isso pode parecer chato, muito chato.

Já vi pessoas tentando explicar RPG falando de regras e de como era legal quando ela fazia tal coisa… Fico me perguntando até hoje como alguém ainda não entendeu que fora do nosso mundo 3d20+3 parece mais uma equação do que uma rolagem de 3 dados de 20 faces com um bônus de mais 3…


12 Responses to “Jogando RPG com a esposa”

  1. Realmente esse é um tema a ser discutido. Minha gata também não joga RPG, ela me assiste falar e jogar e fica com aquela cara de estranhamento. Já convidei, mas ela ficou com ‘medo’ de jogar. eheheheh
    Legal o post. Parabéns pelo site.
    abrz

  2. kkkkk, muito bom!

    Eu também procuro mestrar, apra iniciantes, um jogo inserido em um cena´rio que ele já goste e conheça. Isso já é praticamente 80% do trabalho bem feito!

  3. Salve,

    Eu tive boas experiências mestrando Castelo Falkenstein para a minha namorada. Além da temática, a familiaridade com as cartas de baralho facilitaram o desenvolvimento da história.

  4. Muito bom!
    Mês passado minha noiva participou da primeira partida de rpg dela.
    Fiz o mesmo que você, a introduzi em um jogo de investigação, no caso era Call of Cthulhu e ela interpretou uma médica da década de 20.
    Foi bem interessante, ela assim como os outros jogadores acostumados a outros ambientes de jogos adoraram a experiência e já estão pedindo para rolar um repeteco hehe

  5. Como sempre um grande post aqui Phill. Sempre tive essa dificuldade de lidar com iniciantes, muito embora nunca tenha falhado em explicar o que é RPG. Acho que no meu caso eu sou intolerante e impaciente mesmo, daí não consigo ensinar nada a ninguém.

  6. Na verdade, uma das maiores dificuldades é saber em cada novato que tipo de RPG ele iria curtir mais. Saber o tipo de filmes e livros que eles gostam ajudam a ter uma idéia do gênero, mas não do TIPO de regras ou mesmo de jogo que ele vai preferir.

    Há aqueles que curtem muito um jogo estratégico e estruturado, e há quem curta mais um estilo livre. Recentemente descobri que minha cunhada tinha se interessado em RPG não pelas histórias ou aventuras, mas peloa estratégia e táticas de grupo… da quarta edição de D&D!

    Nossa, muitas histórias para contar de quando mestravámos nos CEUs de São Paulo!

    E parabéns pelo post, Phil!

  7. @ rafael mendonça bem vindo ao dados Limpos Rafael! Ela ficou com medo de jogar? Qual é o RPG que vocês jogam só para constar rsrsrsrs

  8. @hentges

    Bem vindo ao Dados Limpos hentges! Sou super curioso quanto ao castelo Falkenstein, nunca joguei nem li apesar de sempre ouvir boas coisas do jogo. Alias, eu já conhecia o Truth’s for Sale de algum lugar, com certeza já devo ter lido algo por lá, agora quando acho que estou ficando velho hauhauha

  9. @Pablo

    Bem vindo ao blog dados Limpos Pablo! CoC é uma boa pedida! Mas minha esposa depois que teve nosso filçho ficou medrosa demais então estou pegando leve de começo rsrsrs

  10. @Jaime

    Um dia - quem sabe esse ano - quero sentar com você e mais uns amigos em São paulo e quem sabe conversar sobre isso?

    Para descobrir como a pessoa gosta de jogar acho que somente colocando ela para jogar qualquer coisa e observar durante e depois do jogo o que ela gostou e não gostou. Um tema agradável para pessoa pelo menos ajuda a quebrar aquela resistencia inicial, gera ao menos mais interesse.

    Mas engraçado que o texto era sobre minha esposa, mas devo ter viajado um pocuo na maionese. Diaxo! :D

  11. Estavamos jogando D&D 4ª. Mas o medo era pela questão da interpretação, por ter que se expor aos demais. Creio que era isso.

  12. mto legal sua iniciativa, minha esposa tb nao conhecia RPG, e pior nao gostava, tinha preconceito, mas eu fui levando ela nas campanhas e ela foi pegando gosto pela coisa, hj em dia ela curte mto jogar RPG e MAGIC…

Escreva um comentário