Literatura e Lixo Literário

{ Postado em Sep 11 2007 por philsouza }
Categorias : cotidiano, livros

 

Estou a umas 200 páginas (pouco para um maníaco como eu…) de terminar o último dos 7 volumes que compõem a épica saga de Roland Deschain e sua Torre. A Torre Negra. (paradinha em homenagem a R.A Salvatore, que não morreu, mas está sendo zoado no exato momento). Pensando na obra de Stephen King, em tudo que ele fez pela obra e a possível idéia dela ser um obra caça-níquel, percebi como estava sendo imbecil em raciocinar dessa forma…

Sempre achei incompreensível a forma retrograda que os críticos de arte olham o mundo que tanto… Criticam… Me parece que eles pararam no tempo. O rock não é estilo musical, Stephen King, Dan Brown e muitas vezes a própria Literatura Fantástica em geral são lixo literário. Mesmo Harry Potter pode ser mencionado (meus ancestrais vão se contorcer no tumulo…). É como ignorar um elefante cor de rosa dentro de uma sala de estar…

Será que o novo não tem espaço? O mundo muda, mas eles devem ficar ali, naquele mundo antigo? Será que tudo que é atual deve ser necessariamente lixo? E mais… Ganhar dinheiro pelo que se escreve é errado? Um bom escritor deve morrer de fome, na miséria, como os antigos escritores que conhecemos?

Fico com medo de perguntar, por que conheci em minha época de pré vestibular pessoas incríveis que escrevem de forma tão natural como respiram ou trocam de roupa e hoje são estudantes brilhantes de letras ou filosofia, mas que tinham infelizmente essa opinião. Oh sim, sempre curiosamente, fiz amizade com o pessoal da área de letras e de exatas. Dois mundos um pouco distintos, talvez por isso eu impressionasse tanto ao interpretar um texto tão bem e calcular senos e co-senos de ângulos…

Será que se sua escrita agrada gostos mais populares você está fadado a ser um escritor medíocre? Sempre tive aversão a tudo que é muito pop, que fica muito falado. Mas o porquê de me irritar é essa falação. Mas não significa que eu considere aquilo um lixo artístico. Só não gosto por birra infantil, é a vida…

Lembro de uma ex-sogra (título sinônimo a talvez, ex-algoz, ex-vilão e coisas do tipo :D) que me falava que odiava Jorge Amado por que suas historias giram em cima dos mesmos personagens. Quando peguei para ler A Morte e A Morte de Quincas Berro D’Agua, já olhei com certo preconceito. E me assustei.

A historia do livro (que tenho que contar, senão o motivo da minha surpresa não será devidamente bem explicado) conta como um homem correto, de uma família conservadora, de emprego estável, abandona tudo para se tornar um boêmio, uma vagabundo, a jogar, brigar, embebedar-se e sair com prostitutas…

Quincas morre logo no primeiro capitulo que pelo menos é sua primeira morte. Repudiado pela família que o abandonou, só lamentam sua morte seus amigos de farra, pessoas que compartilharam com ele sua alegria e sua liberdade que conquistou abandonando toda uma sociedade e estilo de viver.

Após o suposto velório fica confuso (em minha opinião por intenção do autor) se Quincas simplesmente ressuscita para fazer mais uma “farra” pela cidade com os amigos ou se levam simplesmente o morto por ai (a primeira na realidade é a alternativa mais plausível). Apos uma grande bagunça, Quincas vai para o mar e se joga ali, para nunca mais voltar. “Morro quando bem entender”, foi mais ou menos assim que disse Quincas.

Quincas era tão livre que escolheu até mesmo como morrer. Seu espírito livre era tão grande a ponto de voltar só para morrer da forma que queria… Fico pensando se eu ouvisse minha ex-sogrinha se eu teria lido algo tão profundo…

Por que será que queremos tanto que nossos artistas preferidos morram? Será que só quando o homem se sente um lixo é que aquilo que ele escreve não será?


16 Responses to “Literatura e Lixo Literário”

  1. É complicado. Não apenas nas artes, mas em qualquer tipo de coisa existe um certo preconceito com o novo. Eu lembro de quando comecei a gostar de rock e ouvia coisas como “New Metal não presta”, “Beatles que é rock de verdade”, “A nova geração não sabe fazer música”. Sinceramente, ADORO quase todo tipo de rock! Desde Beatles e Led Zeppelin até Green Day e Nickelback. Só não gosto muito de Black Metal, porque aquela gritaria toda machuca meus ouvidos… Mas não gosto de ser preconceituosa com as coisas. O problema é que as pessoas estão acostumadas a serem assim. Quantas vezes eu já vi pessoas desistindo de ir ao médico, porque descobrem que ele é recém-formado. E tantas outras nós vemos, o tempo todo, pessoas serem discriminadas por causa do “novo”. Novos artistas, novos profissionais, novos alunos e novas idéias.
    E, já que você citou Harry Potter, quantas pessoas não criticam essa obra, dizendo que não passa de uma imitação barata de Senhor dos Anéis?
    Isso só demonstra o quanto as pessoas são mesquinhas e medrosas. Elas têm medo de serem “substituídas”, enquanto deveriam ter o prazer de compartilhar. Não seria muito mais fácil dar a mão ao “novo” e compartilhar conhecimento com ele, do que ficar tentando empurrá-lo para baixo?
    Abraçar o novo não significa perder a personalidade, significa se atualizar! ^^

  2. Ops… O comentário anterior foi feito por mim! XD Mas esqueci que a conta da minha mãe estava logada.

  3. Muito boa sua colocação Hydra. ^^
    Já falei de Harry Potter aqui, mas não vou com a cara por que não me cativou. Mas caso pergunte, falei BEM dele, rsrsrs. Bom abraços e obrigado pelo comentário.

  4. Adorei seu comentário. Acho que minha opinião é bem parecida com a sua. Apesar dos 51 anos, vi os filmes de Harry,O Senhor dos Anéis, li Operação Cavalo de Tróia e, mesmo não tendo lido o Código, assisti o filme e participei de comentários feitos por minha filha e meu marido, que leram.Adoro jogar Harry no play station com minhas netas, jogo alguns jogos on line com uma turma bem mais nova que eu.O que penso das opiniões? É mais fácil falar mal daquilo que não se conhece ou se teme, assim cria-se uma barreira e aquilo não nos atinge. O maior problema disso tudo é que poucas pessoas frequentaram as aulas de interpretação onde (normalmente) se aprende que cada um tira de um texto aquilo que tem na alma.Devemos estar abertos para o mundo, aprender a ver o certo que existe dentro do que consideramos errado. Tudo depende da forma como olhamos para dentro de nós mesmos.

  5. Essa é chave Isabel, você foi perfeita. E é isso que falta hoje em dia, gente de opinião, que esta aberta ao mundo, que observa, que realmente lê. É triste ver como as pessoas cada vez lêem menos e por isso cada vez mais são manipuláveis. Cheias preconceitos não por que vivenciaram, leram, assistiram, mas por que ouviram falar. E assim podem perder algum muito importante.

    Com RPG, que é o tema central desse blog acontece isso também. Houveram problemas em Minas Gerais com gente desiquilibrada que resolveu jogar rpg e acabaram cometendo atrocidades. E a culpa caiu sobre o jogo, por pura falta de informação…
    Obrigado pelo comentário.

  6. Muito bom o post (coincidentemente falei sobre algo parecido hoje no blog da matilha).
    Acho que os próprios jogadores de RPG são bem preconceituosos com o novo. Vejo muita gente falando mal do NWoD sem nem ao menos ler alguma coisa sobre ele. Muito triste isso.
    Em várias áreas essa aversão pelo novo é constante. Vejo isso todos os dias no meu trabalho. É uma mentalidade dominante, infelizmente.
    Mas também cabe a nós tentar divulgar coisas novas e o ingrato serviço de convencer as pessoas a serem menos preconceituosas. Já é um começo.

  7. Só corrigindo um erro no meu comentário…
    Se falo de PREconceito significa que desconheço, mas tenho uma opinião que em seu geral não tem fundamento algum e muitas das vezes está errada. Fui redundante, mas ok, eu posso sobreviver…

  8. Bom, Phil, na minha opinião, hoje em dia se considera literatura o que é lixo literário e lixo literário o que é literatura.

    Um ótimo exemplo é o tal do Dan Brown que é um dos piores escritores que eu já li; o plot é fraco(aquela história de Jesus casando com Maria Madalena tem séculos de idade e já foi usada à exaustão) e a narração faz uma novela da Globo merecer o Oscar.
    Quem quiser que leia Umberto Eco(em especial O Pêndulo de Foucault) pra ver como se faz história de conspiração de verdade.

    Harry Potter é outro que não chega a ser literatura fantástica de verdade; quem quiser que leia Tolkien e George R.R. Martin(um autor atual, da Inglaterra, eu acho) pra ver como se faz de verdade.
    Harry Potter não é tão ruim quanto Dan Brown, não é isso que eu tô dizendo. Mas ele é meio que um Maurício de Souza num mundo de Neil Gaimans, digamos assim. É divertido, e só; não é pra ser elevado às alturas como se faz.

    Na música você vê coisa similar.
    E não tenho porque duvidar que aconteça o mesmo em outros campos(alguém falou Niemeyer?).

    Não que os críticos estejam corretos; principalmente aqui no Brasil eles são boçais que criticam o que é novo por ser novo, mas perceba que eles também não elogiam os clássicos. Eles meio que elogiam a “patota” deles e os seus gostos. Elogiam o que era moda na época deles.
    Abrindo excessão pra voz do povo e de críticos estrangeiros, caso seja inevitável(vide Harry Potter).

    Quanto ao Stephen King, pelo que eu li e ouvi de quem leu, ele não tá num extremo nem no outro. Tem obras boas, obras ruins, e vários meio termos(como obras médios, ou obras que começam boas e pioram, e vários ).

    “Será que se sua escrita agrada gostos mais populares você está fadado a ser um escritor medíocre? ”
    Eu pergunto o contrário: será que tudo que é medíocre está fadado a agradar o gosto popular?

  9. Stephen King é um escritor que tem qualidades, mas ele peca as vezes. Mas me parece justo levando em consideração o tanto de livros que ele escreve…

    Seu contraponto foi excelente Salsa:

    “Será que tudo que é medíocre está fadado a agradar o gosto popular?”

    O que me irrita definitivamente em Dan Brown é ler um livro e se você ler um segundo livro a formula está lá igualzinha. Mudaram os nomes e um pouco da personalidade, mas está lá, do mesmo jeito…

    Mas quanto a mediocridade e popularidade o fato é que as pessoas cada vez leem menos. Se elas vão ler, será para ver algo que se pareça com a novela que elas assistem, com o seriado de adolecentes que eles perdem tempo assistindo…

    Ninguém quer pensar muito, e se o selvagem de Admirável Mundo Novo se mata, eles ficam tristes e não gostam do livro. Eles não olharam o contexto, muito menos sabem o que é isso… Só querem que o final “seja feliz”…

  10. Lembrei agora uma vez que eu sugeri que, ao invés do maniqueísmo normalmente encontrado em novelas, onde o vilão é O Vilão, e o mocinho é O Mocinho, fizessem uma novela onde nenhum dos dois fosse perfeito e ambos tivessem interesses conflitantes. Onde não houvesse mocinho e bandido, mas pesonagens antagonistas, um tendo tanta razão quanto o outro.

    Imagino até que isso ia dar um ibope do cacete pra novela e pr’aqueles programas estilo Sônica Arghbrão, que iam comentar, fazer enquetes e todas essas porcarias que eles fazem.

    Meu interlocutor achou absurda a idéia de não ter O Mocinho e O Vilão na novela.

    Não tem a ver com a conversa, mas, falando em novela, lembrei disso.

  11. Tem haver. A noção do moçinho e do bandido sempre estão bem claras em quase tudo que é popular demais por meu gosto. Um grande heroi contra o grande vilão.

    “Antagonistas” é uma coisa que não lembro em novelas e na maioria daquilo que é popular nos livros…

    Alias não vejo mais novelas hoje em dia, não tenho tempo e acho que não teria paciência.

  12. NÃO, a família do quincas não abandonou ele não, foi ELE quem abandonou a família, inclusive, quando o médico é chamado para ver quincas (no caixão), Vanda diz que tentou buscá-lo por vezes para ficar ao lado da família !!!!!!

  13. Perdão Gabi, agora lendo o paragrafo eu é que escrevi errado. Ainda mais, fui quase redundante senão redundante por completo. Repare que no paragrafo anterior afirmo corretamente: “…abandona tudo para se tornar um boêmio, uma vagabundo, a jogar, brigar, embebedar-se e sair com prostitutas…”

    Estou meio ocupado agora, mas vou corrigir esse paragrafo assim que puder gabi (pode me cobrar). Um grande abraço e seja bem vinda aos Dados Limpos!

  14. Escrevi errado aonde comentei que escrevi errado. Que complicação…

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