Na dúvida chame o Godzilla

{ Postado em out 14 2009 por philsouza }

Esses malditos paparazos...

O começo de todo o mestre é negro. Literalmente. Você não sabe ainda o que é jogar RPG e as vezes torna a sessão de jogo um campo de batalha cheio de situações incoerentes e malucas. Pelo menos os jogadores que começam a jogar com você são tão imaturos quanto e assim não ha ressentimentos.

Estava me acabando de rir lembrando de mortes marcantes de personagens dos meus jogadores que aconteceram por culpa total e exclusiva minha, só por que na época me deu vontade. Eu adorava aterrorizar meus jogadores e quando assistia um filme de terror e me deparava com uma morte interessante pensava: Tá ai, algum personagem do jogador pode acabar assim. Puro sadismo que hoje só posso relembrar rindo…

Hoje eu jamais faria algo do tipo, mas na época eu me divertia e meus jogadores também.  Era uma época diferente, hoje falo aqui de mortes memoráveis, mas mortes desse tipo jamais. Mas convenhamos,  tem cada jogador chato por ai, vai dizer que não tem momentos que você também não tem vontade de chamar o Godzilla?

Para vocês terem noção do nível da coisa, segue abaixo mortes de personagens que aconteceram nas minhas primeiras campanhas. A primeira obviamente é inspiração para o titulo do post.

Na dúvida chame o Godzilla

WTH!!!!

Era uma campanha de “Supers”, algo bem Marvel / DC Comics com personagens de nome americanizado em algum lugar nos Estados Unidos usando um sistema de RPG alternativo criado entre nós. O jogador em questão tinha as mais estranhas idéias quanto a super poderes e a bola da vez era o poder de controlar o ar que convenientemente mudou após ele ler um livro de química para uma habilidade mortal  e totalmente indestrutível ligada a gerar explosões utilizando-se de oxigênio e do hidrogênio presentes na atmosfera. Ele já estava ficando chato insistindo que poderia fazer isso e que seu poder era o mais megabogahiperultrasuperchucknorris poderoso do universo, sem nem ao menos ter começado a jogar.

Minha mente maquiavélica não perdeu muito tempo. Fiz com que um lagarto gigante gerado por experiências radioativas (um “genérico” óbvio do Godzilla) invadisse a cidade. A vaidade do jogador cresceu, ele queria usar seu poder pela primeira vez contra uma criatura gigante e conseguiu. O jogador ficou esperando uma imensa explosão com sangue e carne de lagarto voando para todos os lados, mas ao invés disso expliquei para o pobre menino que seu poder que ainda é pequeno não consegue gerar explosões de tanta magnitude. Ele tinha machucado a criatura com uma explosão, mas nada de explosões atômicas…

Após o jogador reclamar por mais de meia hora e atrapalhar o que eu estava narrando por que  ele achava que não era justo seu poder tão bem pensado ser incapaz de destruir o lagarto gigante em um ataque só, fiz aquilo que nenhum jogador que presenciou a cena esquece. Apontei para o chão lá de casa e falei pra ele:

-Esta vendo ali no chão? Bem pequenino, ali embaixo? Aquela formiguinha é seu personagem.

-Está vendo eu aqui (apontando para mim)? Eu sou o lagarto gigante e é minha vez de atacar.

Então levantei meu pé e pisei com toda força no chão bem em cima da formiga e olhei pra ele com aquela cara que todo mestre faz quando toma uma decisão sem volta. Pronto, mandei-o fazer outra ficha e nunca mais me aparecer com essa coisa de poderes ligados a manipulação de átomos…

Sexta Feira 13 no RPG

Nessa mesma campanha de Supers um jogador era um “genérico” do herói da Marvel Tocha Humana e buscava seu finado companheiro de equipe, agora com o corpo possuído por um vírus alienígena que estava matando todo mundo dentro de um laboratório de pesquisa. Em um dos infinitos corredores do laboratório ele escuta o barulho de janelas sendo abertas dentro de um quarto do corredor. Ele entra e vê as janelas abertas e como naturalmente todo ser humano faria, foi ver se era seu amigo fugindo pela janela.

O azarado rapaz falhou em um teste de percepção e não percebeu que a criatura em questão estava atrás da porta e fez o barulho para atrai-lo para uma posição de vantagem. Quando o jogador percebe está com um cano de metal atravessando suas costas que se não o matou, a queda do décimo terceiro andar após cair da janela fez…

Vi a cena em um filme do Jason Voorhees (Sexta Feira 13), a cena final do filme, alias. Mas sem cano de metal, o susto era em ver que o assassino estava trás da porta. Alguém sabe capítulo do Sexta Feira 13 era esse?

Na mesa de cirurgia

Novamente na campanha de Supers, os jogadores enfrentavam o mestre na espionagem e robótica chamado apenas de Aranha. Suas perigosas aranhas robô existiam em uma modalidade de tamanho bem pequena, essa capaz de entrar no corpo das pessoas pelo ouvido e controlar suas vontades e a outra um pouco maior, era silenciosa e carregava uma poderosa injeção de veneno letal.

Um jogador estava sendo operado após ferir-se em uma explosão e ainda consciente percebe que atrás dos médicos sorrateiramente 3 aranhas robô do segundo tipo citado surgem da ventilação e preparam-se para atacar. Para o desespero do jogador ele estava incapaz de falar e totalmente imóvel em sua maca  devido a anestesia que começavam a fazer efeito. Ele observa paralisado os médicos sendo mortos e depois de forma bem angustiante as aranhas subirem cada vez mais em seu corpo e o matarem com uma injeção letal no rosto.

Detalhe que esse jogador poderia ser salvo por um amigo que estava jogando, seu personagem observava a operação. Mas por pura maldade ele jogou o amigo aos leões (quer dizer… Aranhas…) só por  vingança, em outra sessão um ato egoísta desse jogador resultou na morte de outro personagem, então ele resolveu que era hora da vingança…


5 Responses to “Na dúvida chame o Godzilla”

  1. Meu Deus, a cena do Godzilla deve entrar para o histórico do RPG nacional AGORA!

  2. Haha! Até hoje tem amigo meu lembrando quando eu fiz isso. Não precisou de dados para explicar hahahaha

  3. Nossa, quem vingança maléfica (e total metajogo) das aranhas evil.
    *ivan chocado, dando sopa pra um ataque de oportunidade*

  4. Já conheci um mestre assim, e depois que percebi como ele era “malandro” não aceitava mais jogar na mesa dele.

    Abrçs e Bons Jogos.

  5. @d.darkangellus

    Isso é fase, depois de um tempo a pessoa toma juizo como eu. Espero.

Escreva um comentário